quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Resposta

Como ando meio sem tempo para escrever algo direcionado ao blog, achei que seria interessante transcrever essa outra troca de emaíls, mantendo a privacidade da minha interlocutora.

Em certo momento, minha amiga R. escreveu:

"Oi Sérgio, também temos um grande prazer em falar com você, mesmo que nossas opiniões sejam tão diferentes. Mas, mesmo o e-mail sendo direcionado para minha irmã, me senti na obrigação de respondê-lo.

O objetivo do e-mail que enviamos é alertar as pessoas que estão elegendo uma candidata somente porque ele está nas costas do Lula, um presidente que sempre se vangloriou por ser “humilde” por ter vindo “do povo”, por ser simples. Até me atrevo a dizer que só foi eleito por causa disso, ou por que outro motivo um povo elegeria um presidente ignorante, cachaceiro que não sabe nem falar ou se portar? E esse mesmo homem simples tem uma vida de rei, com um avião de marajá, fez plásticas pra melhorar a aparência (não que tenha resolvido muito), toma vinho de R$6000,00, garantiu à sua família uma fortuna que os sustentará a vida toda e tem uma “equipe” (pra não dizer quadrilha) que rouba descaradamente. Tudo bem, roubar, todo político rouba, mas daí nós mantermos no poder uma corja que foi desmascarada e acreditar que o Lula não sabia de nada, ou, como a nossa candidata Dilma disse, não há provas contra nenhum deles (então devo acreditar que são todos inocentes?). Demagogo, sempre criticou os outros, dizendo que no governo dele nunca o povo seria lesado.

Tá, desculpe, me empolguei e fugi do assunto. O objetivo não era “falar mal” da Dilma, mas tentar alertar que esse lado bonzinho e bonitinho que foi construído para a nova candidata, que só começou subir nas pesquisas após esse novo perfil ser ventilado, não é bem a verdade.

Não é à toa que Marília Gabriela disse que não tem medo de assalto, mas tem medo da Dilma (encaminhei esse e-mail? Que pena que já apaguei). Ela só lutou contra a ditadura porque não era ela que estava no poder, porque esse fascínio sem sentido que o Lula provoca no povo é praticamente uma ditadura. Ele já foi eleito, reeleito, vai continuar no poder através da Dilma e até Deus sabe quando, mandando e desmandando através de suas milhares de Medidas provisórias, que amarram as mãos da câmara (NOSOS REPRESENTANTES). E nem tente me convencer que a Dilma está sendo aclamada por mérito próprio e que se tivesse sozinha, sem o apoio do Lula, ela seria eleita.

Segundo Auerbach, citado pelo filósofo Roberto Romano, a realidade é um imenso palco com inúmeras cenas se desenrolando. O que faz o propagandista? Escolhe uma cena que lhe interessa e joga o holofote sobre ela e deixa as demais na sombra. O que o espectador está vendo é real, mas para que aquela cena tenha seu real significado, seria preciso iluminar todas as outras cenas também.
Quando Lula diz: a economia vai bem, e ilumina um determinado aspecto da economia, o fato é verdadeiro mas essa não é toda a realidade. Lula se irrita com a imprensa porque ela coloca holofotes sobre outras cenas que ele gostaria de manter escondidas.

O objetivo não foi pedir voto para o Serra, mesmo porque eu votei na Marina, que também tem uma história de luta em oposição da ditadura. Que apesar de ter aprendido a ler somente aos 16 anos porque sua condição difícil não a permitiu fazê-lo antes, graduou-se em história, fundou junto com Chico Mendes a CUT (Central Única dos Trabalhadores), se tornou a vereadora mais votada do Acre aos 30 anos, e aos 36 foi eleita a senadora mais jovem da história. E que quando era ministra do meio ambiente do governo Lula foi apontada pelo jornal inglês The Guardian como uma das 50 pessoas que podem salvar o planeta. Mas isso também não vem ao caso porque ela não está no segundo turno (aposto que se fosse ele apoiada pelo Lula estaria).

Sobre mentiras com relação à autoria de boas idéias, o Pac também não foi idéia do Lula, nem o bolsa família (que eu acho que não resolve nada), que já existia, só recebeu novo nome. E a estabilização da economia não começou há 8 anos atrás, e sim, com a criação do plano real, ainda no governo de Itamar Franco. E falando baixaria em campanha, a Dilma e o Lula só não atacaram porque não tinham arsenal para tal, e também porque a Dilma, como disse em reportagem (encaminhei esse e-mail? Pena que também já apaguei), já se considera eleita há muito tempo. Vocês se esquecem quantas vezes o Lula foi candidato? Ele mesmo nos lembrou, dizendo que é a primeira vez que ele vota sem ver o carão dele lá na tela. É uma pena não termos mais acesso às suas outras campanhas, para vermos, além de suas agressões, seus dircursos demagogos, criticando tudo o que ele faz agora.

Quanto à autorização do aborto, você condenaria uma mulher que está grávida após ser violentada de não querer ter esse filho? Discussões religiosas à parte, eu não atiro a primeira pedra, porque nunca passei por uma situação dessas para saber como me sentiria, mas acho que toda mulher pode ao menos imaginar. Então seria melhor ela fazer isso com um “açogueiro”, que não só tira a vida do feto, como muitas vezes a da mãe também?

Essa é uma questão de opinião e é só uma questão, como já disse: a realidade é um imenso palco com inúmeras cenas se desenrolando.

Bom, se vocês acreditam mesmo que tudo que a imprensa informa sobre a sem-vergonhice desse governo são “denúncias levianas e sem provas”, então, vamos fazer jus ao ditado “TODO POVO TEM O GOVERNO QUE MERECE”. Um povo que acha lindo resolver tudo com o famoso “jeitinho brasileiro”, que fica feliz quando recebe um troco a mais, em vez de devolver ao caixa. Um povo que no trânsito acha que é o único carro na rua e não respeita ninguém, que mesmo com toda a mudança climática, todas as catástrofes naturais e todos os avisos de um futuro negro, continua gastando água demais, energia demais, produzindo lixo demais. Um povo que adora receber, mas não quer trabalhar, que ama um feriado e ainda acha que nosso calendário tem poucos. Um povo que joga lixo em vias públicas, que rouba a planta do jardim do vizinho, que finge de bobo pra não dar o lugar a uma mulher grávida, um idoso ou um deficiente.

Quer saber, tem razão, “TODO POVO TEM O GOVERNO QUE MERECE”.

Desculpe se me exaltei, mas acho mesmo que ninguém vai ter paciência de ler esse e-mail até o final, então foi só um desabafo!

Abraço, da já conformada R."

Segue minha resposta:

"Querida R.,

Vc tocou em muitos pontos interessantes no seu e-mail, por isso vou por partes e vou tentar ser o mais sucinto possível.

1) O Brasil elegeu Lula porque percebeu que seria o momento de dar uma chance ao candidato que foi vencido pelos dois piores presidentes da história do Brasil, Collor e FHC. Este último quebrou a economia do Brasil por três vezes e provocou uma crise de energia sem precedentes na história do país. Ainda há muitas outras coisas ruins que ele fez para nós, mas o email ficaria muito longo se eu citasse todas. Mas segue aí um pequeno resumo:

http://www.youtube.com/watch?v=wZ8DTdVJ-1k&feature=related

2) O presidente FHC possuía uma adega no palácio do planalto. Bebia (ou bebe) uísque diariamente. Ah, claro... uísque não é cachaça. Pinga é coisa de gentinha sem classe e ignorante ("ignorância" que nos salvou da pior crise mundial das últimas 8 décadas). O próprio FHC afirma que bebe diariamente (ah, esqueci... uísque pode!):

http://veja.abril.com.br/especiais/anos-fhc/candidato-gogo-64200.shtml

3) O "avião de marajá" a que vc se refere, é da Presidência, não do Lula. Inclusive é mais barato que o jatinho da Marina, a pessoa humilde em quem vc diz ter votado. A Marina não lutou contra a ditadura, apenas foi apadrinhada por Chico Mendes, tendo herdado sua influência política, já que andava com ele por todos os cantos. Olha aí o brinquedinho humilde da pobre moça:

http://altamiroborges.blogspot.com/2010/10/quem-paga-o-jatinho-de-marina-silva.html

4) Longe de mim afirmar que o PT só tem gente boa, seria muita ingenuidade. Mas se tem sujeiras aparecendo é porque estão sendo investigadas. Vivemos num estado de direito e quaisquer acusações tem que ser baseadas em fatos. A propósito, o meu conceito de quadrilha seria mais parecido com isso:

http://blogln.ning.com/profiles/blogs/o-engavetador-geral-entrevista?xg_source=activity


5) Vc fez bem em apagar o email da Marília Gabriela, pois era falso:

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4403123-EI6578,00-Marilia+Gabriela+desmente+autoria+de+texto+contra+Dilma.html

6) Vc disse mesmo que eleger um presidente pelo voto popular direto é uma ditadura?? Desculpe-me, mas só consegui encontrar links sobre isso na Wikipedia:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Democracia

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ditadura

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ditadura_militar

7) Por favor, repasse esses links a esse filósofo (se é que merece tal denominação) Roberto Romano. Caso vc não saiba, ele pertence à turma de "especialistas" que falam qualquer coisa numa entrevista, desde que sejam bem pagos. Para vc ter uma idéia de quem é esse cara, veja o que ele acha de Paulo Freire, um dos maiores educadores da humanidade:

http://www.sinprodf.org.br/blog/?p=18

8) Acho que já falei da Marina, né? Mas aposto que vc não sabia que ela é chegada numa biopirataria:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u617756.shtml

9) O PAC, o Bolsa Família, o salário mínimo e a energia elétrica não foram inventados por Lula. Mas hoje temos novas universidades e favelas pacificadas, temos milhares de pessoas que saíram da miséria (tente explicar que o "bolsa-esmola" não resolve nada para quem passava fome, algo que nem eu nem vc nunca sentimos na pele), estamos livres do racionamento de energia e o salário mínimo é o maior da história:

http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2009/12/24/salario-minimo-calculado-em-dolar-e-o-maior-de-todos-os-tempos.jhtm

10) Com relação ao aborto, assumo minha falha, pois fiz uma citação fora de contexto. Não sou contra o aborto nos casos previstos em lei, apenas quis fazer um contraponto com relação ao que anda sendo veiculado na internet em alguns emails ditos religiosos, que colocam Dilma a favor do aborto e Serra contra. Nem uma coisa nem outra são necessariamente verdadeiras. Fiz um recorte infeliz de um outro email que havia enviado.

Para encerrar, se vc acredita que as acusações da Veja, Folha de São Paulo e da Globo são verdadeiras, apresente as provas. Garanto que se vc procurá-las vai se deparar sempre com um informante anônimo. Ou, pior, vai se deparar com seu preconceito (sem ofensa...).

O problema do país não está simplesmente no povo. Isso torna a questão demasiadamente superficial. Aprofunde-se mais na história mundial das últimas décadas; para isso, sugiro Castoriadis, já que vc gosta de filósofos. E, por falar neles, por favor, escolha melhor os seus.


Um grande abraço.

Sérgio Sales.


PS: Sobre não haver um "arsenal" que contenha os podres do Serra, vc só pode estar brincando. Só um petisco: a filha de Serra e a irmã de Daniel Dantas eram sócias numa empresa que violou os dados de 35 milhões de brasileiros! Não acredita?

http://web.archive.org/web/20040212163504/www.decidir.com.br/servicios/svi.asp "

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Recebi um e-mail com uma apresentação de slides ilustrada com animaizinhos muito simpáticos, que dizia o seguinte:

"Brasileiro sempre teve mania de reclamar dos seus governantes.

Reclamava dos administradores das Sesmarias e das Capitanias Hereditárias; dos governadores gerais e dos imperadores.

Reclamava dos presidentes da Velha República e da República Velha, dos militares, de Sarney, de Collor, de Itamar, de FHC, de Lula...

Não reclamaram de Tancredo Neves porque morreu antes da posse!

No próximo ano, vamos ter novo presidente, novo governador, outros deputados...Ou os mesmos!

Mas o povo vai continuar a reclamar. Sabe por quê?

Porque o problema não está nos deputados, senadores, presidente, governador, prefeito, funcionário ...

O problema está naquele que reclama: você e eu; nós! O problema está no brasileiro.

Afinal, o que se poderia esperar de um povo que sempre dá um jeitinho? Um povo que valoriza o esperto e não o sábio?

Um povo que aplaude o vencedor do Big Brother, mas não sabe o nome de uma escritor brasileiro?

Um povo que admira o pobre que fica rico da noite para o dia? Ri quando consegue puxar tv a cabo do vizinho? Sonega tudo o que pode e, quando pode, sonega até o que não pode!?

O que esperar de um povo que não sabe o que é pontualidade? Joga lixo na rua e reclama pela sujeira?

O que esperar de um povo que não valoriza a leitura?

O que esperar de um povo que finge dormir quando um idoso entra no ônibus? Prioriza o carro ao pedestre?

O que dizer de um povo que elege o Maluf denovo ?...

O problema do Brasil não são os políticos; são os brasileiros!

Os políticos não se elegeram; fomos nós que votamos neles.

Político não faz concurso, ganha votos: o seu e o meu!

Pense nisso."



E concluí que estámos perdidos.

É... Estamos perdidos.

Não pelo povo, de quem foi historicamente subtraído o direito à educação.

Não pelas pessoas simples, submetidas a uma carga de trabalho escorchante, que são sufocadas pela agiotagem oficial dos bancos e grandes corporações, recebem remunerações humilhantes e tem como único lazer o bombardeio ideológico das TVs.

Não por aqueles em quem o prazer e a importância da leitura não foram despertados, justamente para que continuem submissos.

Estamos perdidos porque somos traídos diariamente por aqueles que puderam esclarecer-se e, mesmo tendo sido ou ainda sendo povo, voltaram-se contra os mais fracos.

Afinal, o que esperar de uma classe supostamente esclarecida que, mesmo sendo povo, ecoa o discurso das elites?

Mais que isso: sonha em ser elite, despreza quem enriquece primeiro, mas não assume sua hipocrisia?

Que acha maravilhoso poder pagar preços absurdos pelo pior serviço de internet do mundo?

O que esperar de uma classe esclarecida que chama o povo de acomodado, mas reclama do trânsito parado quando ocorre uma manifestação popular?

Uma classe que adora os preços altos dos teatros e cinemas para que a platéia não fique muito "misturada"?

O que esperar de uma classe esclarecida que, covardemente, culpa os mais fracos pelas mazelas sociais, pois tem medo de apontar seu discurso para os mais ricos?

O que esperar de uma classe esclarecida que se indigna com a falta de pontualidade e a sujeira na calçada, mas tapa os olhos para a miséria, a fome e o analfabetismo?

O que esperar de quem chama o povo de ignorante, politicamente, mas não move sequer uma palha para lhe trazer luz?

O que esperar de uma classe esclarecida que lê mas não entende; instrui-se, mas não pensa?

O que esperar de uma classe que subiu no altar e cruzou os braços?

É... realmente estamos perdidos!

Mas, perdido ou não, meu voto é a única arma que tenho. E não vou jogá-lo no chão.

Posso ser vencido um dia.

Mas vou cair de pé. E votando.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Esses paulistas...

Deu no Terra: "Casal da Renascer lota ginásio em SP. Após prisão nos EUA, Estevam e Sônia fazem primeira aparição pública no Brasil e pedem orações pelo filho, internado na UTI".

Como se sabe, são picaretas confessos. Mas fazer o quê...

Paulistas Elegeram José Serra e Paulo Maluf várias vezes.

Adoram se divertir em lugares onde há filas.

Dançam música eletrônica como se isso fosse possível de ser dançado.

Ouvem música eletrônica como se isso fosse, realmente, música.

Compram o carnê do Baú.

Segundo pesquisa IBOPE (publicada em janeiro de 2008), 53% dos paulistanos acredita que a cidade de São Paulo está no caminho certo (só se for do abismo!...), apesar de quererem ir morar em outra cidade (55%). Vá entender!

Amam o Gugu e a Hebe.

Acham o Pânico engraçado.

Adoram o gerúndio e acham bonitinho colocar o "então..." no início de todas as frases.


Paulista gosta de cada coisa!...

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Treva e Luz

Ontem, vi uma sombra
a seguir-me os passos.
Hoje, ao acordar e olhar pela janela,
havia um enorme Sol aquecendo meu rosto.

Ontem, andando entre folhas,
espinhos feriram-me as mãos.
Hoje, quando acordei,
contemplei uma bela rosa ao meu lado.

Ontem,
chorei pela chuva que caía.
Hoje, ao despertar,
danço sob a tempestade que me refresca.

Se, ontem,
tremia, diante da realidade,
Hoje
lanço-me sem medo ao desconhecido.

Ontem, apenas dormia.

Hoje sonho...
e vivo.


Sérgio Sales.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Depoimento de uma mulher esperta.

"Na noite passada, fui convidada para uma reunião com as meninas.
Eu disse a meu marido que estaria de volta à meia-noite:

- Prometo! - eu disse.

Mas, as horas passaram rapidamente e o champanhe estava rolando solto.
Por volta das 3 da manhã, bêbada feito um gambá, eu fui para casa.

Mal entrei e fechei a porta, o cuco no hall disparou e 'cantou' 3 vezes.
Rapidamente, percebendo que meu marido podia acordar, eu fiz 'cu-co' mais 9 vezes.

Fiquei realmente orgulhosa de mim mesma, por ter uma idéia tão brilhante e rápida (mesmo de porre) para evitar um possível conflito com ele.
Na manhã seguinte, meu marido perguntou a que horas eu tinha chegado, e eu disse a ele:

- Meia-noite!

Ele não pareceu nem um pouquinho desconfiado.

Ufa! Daquela eu tinha escapado!

Mas então, ele disse:

- Nós precisamos de um novo cuco.

Quando eu perguntei por que, ele respondeu:

- Bom, esta noite nosso relógio fez 'cu-co' 3 vezes, depois não sei porque soltou um...`caraaaaalho!`.
Fez 'cu-co' mais 4 vezes e pigarreou.
Fez mais 3 vezes, riu, e fez mais 2 vezes.
Daí, tropeçou no gato, derrubou a mesinha da sala, peidou, deitou e dormiu..."

terça-feira, 28 de julho de 2009

Divirta-se!

Perguntaram-me uma vez, por que eu disse "divirta-se", ao me despedir.
- Estou indo pro trabalho, responderam.
E isso não pode ser divertido? Ou, ao menos, mesmo que minimamente, prazeroso?

O mundo é dinâmico, o tempo é curto, a vida é corrida. Quando repetimos isso, esquecemos que é a nossa vida que vivemos, o mundo que percebemos é o nosso. O tempo passa com a velocidade que damos a ele. Que ele passa, é fato. Mas pode passar rápido como alguém que nos assusta por que correu para pegar o ônibus, ou lento como um avião que desenha uma esguia linha branca num fundo azul e que acompanhamos para ver quão longa será a linha.

Alguns grandes vilões da história mundial encheram nossas cabeças com falácias que nos fazem esquecer o que somos. Tempo é dinheiro, prazer é pecado. Tudo besteira. Refrões repletos da mais pura crueldade humana, para reprimir, dominar.

Perceber, contemplar... é isso o que nos falta. Esquecemo-nos de fabricar alguns pequenos hiatos em nossas rotinas para essas importantes e prazerosas tarefas. Tocamos nas coisas, mas não sentimos sua textura. Olhamos, e não percebemos os detalhes que compõem o todo. Espreguiçamo-nos, mas não nos deliciamos com esse momento mágico do nosso corpo e com o bem estar que ele proporciona.

Tempo é simplesmente a coleção das nossas experiências. É provar um suco novo a cada dia. É dizer "eu te amo" todas as manhãs, como se fosse a primeira vez. É aprender a costurar. É beijar um amigo. Usar um penteado ou uma roupa que nunca usou antes, só para ver como fica. É sentar de frente para o mar, de pés descalços, sem pensar em nada, apenas pelo prazer de ter deixado um monte de coisas sem fazer e, ao final, constatar que o mundo não acabou por isso.

Sem essas coisas, o tempo se resume a um passar de segundos.

Sei que faço parte dessa grande máquina que se tornou o mundo e, junto com ela, movimento-me.
Mas, também, dedico-me a sentir prazer, degustar meu tempo, perceber e contemplar.
E a repetir: divirta-se!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Cotas

Esse texto do Juarez Silva Jr não é exatamente sobre as cotas nas universidades. Mas aproveitei que ele tocou no assunto para alimentar essa discussão.

http://blogdojuarez.amazonida.com/wp/?p=152

"Caro Juarez, com relação a esse assunto das cotas, é importante termos muito cuidado. Eu, particularmente, coloco-me ora contra, ora a favor (calma!… não sofro de distúrbio bipolar… rsrs).

Deixe-me explicar.

Para aqueles que querem acabar com as cotas, posiciono-me firmemente a favor delas, pois sou ciente da intenção mesquinha dos que a elas se opõem, que visam somente perpetuar as desigualdades sociais. O sistema de cotas racha duramente o modelo atual de divisão do trabalho, no qual quem já é rico ou classe média (e branco, na quase totalidade) ocupa os cargos que definem os rumos da sociedade e os pobres (negros e mestiços, em sua maioria) ficam relegados aos trabalhos sem poder de decisão. Isso incomoda muito a quem hoje detém o poder.

Para quem é a favor das cotas, posiciono-me contra alguns modelos que estão sendo apresentados. Se a intenção do Movimento Negro (embora não exista um, mas vários movimentos negros, alguns, inclusive, muito equivocados) é democratizar o espaço social e, não, segregar, então olhar para a cor da pele não é o suficiente.

Para ser mais claro, cito os exemplos dos sistemas de cotas da UNB (Universidade de Brasília) e da UNEB (Universidade do Estado da Bahia). No primeiro, há uma comissão que valida a cor informada no formulário de inscrição, para confirmar ou não se o candidato é negro e merece o sistema de cotas. Já na UNEB, para aceder ao sistema de cotas, o candidato deve se autodeclarar afrodescendente (o que ninguém valida), mas o que irá definir seu direito às cotas é ele ter feito os 3 últimos anos do ensino fundamental em escolas públicas. Penso que esse último sistema é muito mais correto que o primeiro.

Ainda assim, no meu ponto de vista, o sistema de cotas está invertido. Nas universidades públicas deveria ser criada uma cota de 10% para estudantes de qualquer escola, pública ou privada. Os outros 90% deveriam ser exclusivos para quem cursou os 5 ou 7 últimos anos do ensino fundamental em escolas públicas. As universidades públicas devem ser para quem estudou em escolas públicas. Quem pode pagar pelo ensino particular, que o faça também no ensino superior.

Isso seria muito mais democrático. Também não deixaria de ser uma ação afirmativa, já que a maior parte dos estudantes de escolas públicas é composta por afrodescendentes (negros, como você, e mestiços, como eu).

E sem segregar, o que também é importante.

Sérgio Sales."

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Onde está você?

Ontem não consegui dormir.
Algo estava comigo, na cama, inquietando-me.
Algo metamorfo,
que às vezes gritava meus anseios
e outras, ainda pior, silenciava,
num vazio tão profundo
quanto a escuridão...
Parecia querer levar-me
aonde não estava meu corpo:
combate quase sangrento
entre matéria e desejo,
entre lógica
e ilusão...
Quisera estar só,
pois, entre prantos, ao erguer no ar
a dor de tudo o que não realizei,
dormiria.
Mas não... não pude chorar.
Pois que minha dor
era também alegria
e meus sonhos, realidade.
Na imensidão
em que se transformou meu lençol
havia um quê de presença
e, mais que esperança,
a certeza do pertencimento.
Havia ausência e, ironicamente, nela,
felicidade.

Sérgio Sales.

Clássico!

A internet nos traz inúmeros novos vídeos interessantes todos os dias.
Mas sempre há espaço para os clássicos.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Resposta a e-mail.

Recebi, hoje, um email contendo uma suposta notícia sobre a viagem do Presidente Lula para participar da reunião do G20. O e-mail é a reprodução do texto que pode ser lido nesse link: http://www.brasilverdade.org.br/index.php?conteudo=canal&id=429&canal_id=21

Resolvi verificar a veracidade da informação.

A fonte citada (Correio da Tarde) não possui referência nenhuma ao que foi descrito nesse e-mail. As referências que encontrei sobre isso na net continham somente esse mesmo texto, reproduzido irresponsavelmente em vários blogs.

Mas, tudo bem, suponhamos que todas as informações contidas naquele texto são verídicas. A partir daí, vamos botar nossos neurônios pra funcionar um pouco. Vamos por partes.

1. O Presidente Lula hospedou-se num hotel de luxo. Será que os presidentes anteriores faziam e os de outros países fazem diferente? Afinal, para que os hotéis de luxo tem as famosas suítes presidenciais? Ah, esqueci... Lula é nordestino, foi metalúrgico e sindicalista, isso não é pra ele.

2. Lula gosta de cachaça. FHC, o presidente que inventou o apagão, o mensalão, enriqueceu Daniel Dantas (o maior bandido brasileiro da atualidade) e sumiu com o dinheiro das privatizações, tinha uma adega milionária dentro do Palácio da Alvorada, com vinhos e uísques caríssimos. A fonte dessa informação é o jornalista Paulo Henrique Amorim, que afirma para quem quiser ouvir, que esteve nessa adega e pode descrevê-la. Agora, uma pergunta: por que beber uísque pode e cachaça não pode? Eu, particularmente, prefiro cachaça. Ah, claro... cachaça é coisa de nordestino, ou de pobre.

3. O que é uma cegueira cultural? Seria por acaso, não acreditar que a epidemia de gripe suína é uma invenção da mídia, assim como foi a da febre amarela, em que pessoas morreram por que se vacinaram sem necessidade? Seria saber que Sarney não se tornou corrupto de uma hora para outra, mas que agora é esse "monstro" porque se afastou da direita a quem sempre serviu? Seria achar patéticas as afirmações da Miriam Leitão de que o Brasil está indo para o ralo, mesmo com o país emprestando dinheiro ao FMI? Seria sentir nojo de quem disse que Lula ia confiscar a poupança, como fez Collor, quando as medidas tomadas foram justamente para proteger os pequenos investidores (nós, o povo) dos grandes especuladores? Se ser um "cego cultural" é recusar-se a ficar de joelhos perante as idéias reacionárias da classe média e de quem domina a grande mídia, pode ter certeza de que sou um. A propósito, quem inventou esse termo "cegueira cultural" não tem a menor idéia do que seja cultura.

4. Gostei da frase "Os políticos brasileiros não são eleitos por quem lê jornais e sim por quem limpa a bunda com eles", mas, infelizmente, ela ainda não é verdadeira. Quando a democracia da internet acabar de vez com esse jornalismo podre que toma conta do Brasil e essa frase for totalmente verdadeira, podemos ter certeza de que nosso país será muito mais justo.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Alô!?

Acabei de atender ao telefone, pela centésima vez essa tarde.
- Alô...
- É da Odonto-algumacoisa? - alguém pergunta do outro lado.
- Não, respondo.
- E de onde estão falando?
Juro que demorei uma eternidade de uns 5 segundos filosofando sobre o que deveria responder.
O que uma pessoa quer saber com uma pergunta assim? Ou, melhor, o que ela vai fazer com a resposta?
E se eu dissesse, por exemplo, "aqui é da Funerária Durma Bem", que diferença faria? O interlocutor iria aproveitar para escolher seu caixão, no lugar de ir ao dentista? Ou iria perguntar: "Por acaso meu dentista passou por aí"?

Atender ao telefone às vezes é um exercício de paciência.

Houve um dia em que ligaram procurando um colega de trabalho. Era de uma empresa de telemarketing, prestando serviço a um banco, se bem recordo.
- Boa tarde! O Sr. Fulano se encontra?
- Não, ele não está, no momento.
- Aqui é do Banco Bufunfa (nome fictício, claro!), nós precisaríamos estar entrando em contato com o Sr. Fulano o mais breve possível. O senhor poderia estar passando um recado para ele?
- Po...
- É para ele estar entrando em contato conosco se possível ainda hoje. Nosso número é 9009 9999.
- Um momento, ainda estou pegando uma caneta. Pode repetir?
- 9009 9999. Estou falando com...
Ahhh... Nem pestanejei:
_ ... migo!
E desliguei.
Mas que cara de pau! Não se identificou, nem sei se era mesmo de um banco e ainda pergunta meu nome dessa forma, sem vaselina!? Sem contar que esse tom ameaçador de quem pergunta o nome ao final da conversa ("com quem eu falei mesmo?") parece que está dizendo: "agora eu sei quem é você, é bom dar o recado!!"

Há também aqueles que consideram os sinais de boa educação apenas obstáculos à objetividade da vida pós-moderna. Ao invés de dizerem um "boa tarde" ou, ao menos, o trivial "alô", disparam o nome da pessoa com quem desejam falar. Obviamente, também já aconteceu comigo:
- Fulano.
- Não, Sérgio - respondi já sabendo o que estava rolando.
- ...
- ...
Uns dez segundos depois...
- Por favor, Fulano está?
- Não.
- "tu... tu... tu..." - bateram o telefone.
O diálogo só poderia ter terminado no mesmo nível de educação do início.

Por essa conversa dá para perceber também que Fulano nunca está nessas horas. Essas preciosidades só acontecem quando ele foi tomar um cafezinho, foi ao banheiro ou fugiu para ir ao banco. Se eu fosse um pouco mais paranóico, ia achar que é o próprio Fulano que liga.

Mas ruim mesmo é quando um colega sai da empresa e os cobradores acham que ele está é se escondendo. Ligam quase todos os dias perguntando pelo sujeito e recebem sempre a mesma resposta: "ele não trabalha mais aqui".
Agora já peguei o jeito. Bolei uma estratégia que sempre funciona, acaba de vez com as ligações. E sem precisar mentir.
- Alô, gostaria de falar com o Fulano.
Ao que respondo, num tom grave:
- Sinto muito, Fulano não está mais entre nós.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

"Sapateado e Liderança(?)"

Muito interessante o vídeo.

Pelo que percebi, foi editado por um desses engravatados que ganham muito dinheiro com palestras motivacionais. A prova disso é que o título do vídeo é "Sapateado e Liderança" e, embora seja realmente uma apresentação de sapateado, não tem absolutamente nada a haver com liderança. Assim como boa parte das palavras que apareceram não tinham nada a haver com o espetáculo.

Mas isso não tem a menor importância perto do inegável talento dos dançarinos.
Confesso, no entanto, que achei algumas coisas meio esquisitas para uma apresentação de dança.

Para começar, o figurino. Poderiam ter pensado em um cinto para os dançarinos, assim não precisariam ficar o tempo todo segurando as calças.

A expressão corporal (ou a falta dela) da cintura para cima, é idêntica à de apresentadores de Stand-up Commedy. Para quem não conhece, são aqueles comediantes(?) estadunidenses ou pseudo-estadunidenses (os paulistanos e, o que é ainda pior, os pseudo-paulistanos) que ficam sozinhos no palco contando piadas velhas da internet.

Senti também um pouco de medo, pois em alguns momentos a apresentação lembra um filme de terror. É como se os dançarinos estivessem todos mortos e algum fenômeno sobrenatural lhes restituísse a vida abaixo da cintura. É algo como "A volta das pernas-vivas", ou "O exorcista anão", já que só vai precisar fazer metade do serviço.

Mas o mais intrigante mesmo é que, apesar disso tudo, dá vontade de assistir até o fim. Eu mesmo fiz isso.
Várias vezes.

PS: Tatá, valeu pelo vídeo. Pode mandar mais...

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Por que escrevo?

Estava me perguntando ontem, por que resolvi criar esse blog. Ou, melhor: por que quero escrever nele?
Mesmo sem ainda ter conhecimento dela, tal pergunta vinha me consumindo já há algum tempo. Somente ontem, tomou forma.
E não tinha idéia da resposta, até agora. Foucault mostrou-me o rumo dessa descoberta.

Cheguei a cogitar muitas respostas.

Pensei se não seria por simples vaidade, um desejo de ser admirado como escritor ou pensador. Embora seja uma possibilidade ainda não totalmente descartada, esbarrou, inicialmente, no fato de eu não ter divulgado o sítio e esteja resistindo a fazê-lo. Soma-se a isso a certeza de não ser um grande pensador, o que poderia justificar o envaidecimento.

Definitivamente, não foi para ganhar dinheiro, pois jamais ouvi falar de blogueiro que tenha ficado rico. Alguns, é verdade, obtém bom retorno financeiro com seus blogs. Mas é uma casta privilegiada de pessoas renomadas que, tendo ou não algo interessante a dizer, tem sua marca (ou nome) contratada a peso de ouro.

Seria para mudar o mundo? Pouco provável, para o alcance que este blog pretende ter.

Como disse, ao ler Foucault, comecei a entender essa vontade de escrever.
As idéias tem vida. Elas querem, precisam sair. Gosto de pensar, emitir juízos, debater comigo mesmo. Muito frequentemente, pego-me em diálogos imaginários, debatendo temas polêmicos.
Insanidade? Estou certo que não. São apenas as idéias procurando seu espaço. E, aqui, elas materializam em "zeros e uns" o espaço conquistado, ainda que possivelmente efêmero. Mas está, de qualquer forma, registrado: elas existiram.

Escrevo porque minhas idéias precisam de mim, assim como preciso delas.
Porque preciso ver as letras darem vida à minha felicidade.
Porque preciso, nos momentos de angústia, lembrar quem sou. Ou descobrir. Ou refazer. Ou reinventar.

Nos últimos, aproximadamente, 20 anos, jamais entendi porque fiquei sem escrever compulsivamente, como fazia em minha adolescência. Atribuí isso à falta de inspiração. Talvez tenha sido... talvez não. O fato é que, com ou sem ela, por um tempo esqueci-me da deliciosa batalha de descobrir quem sou. Mas apavora-me a idéia de realmente descobrir; gostoso, mesmo, é tentar.

Nesse tempo, as idéias adormeceram, o debate arrefeceu.

Mas é hora do fogo, novamente.
Sou do debate. Sou da briga.
Sou da tempestade!

Show!

Abraços grátis!...

terça-feira, 14 de julho de 2009

Crise, sim!

Deu no Terra:
"A internet ganhou espaço frente a outras mídias durante a atual crise econômica. A opinião é do CEO para América Latina do Terra, Fernando Madeira."
Madeira Afirma ainda: "Quando o mercado publicitário refaz as contas durante uma crise, na hora de repensar investimentos, a internet sai ganhando".

Se os publicitários estão migrando seus investimentos para a internet por causa da crise mundial, estão fazendo a coisa certa pelo motivo errado.
Há uma crise, sim, a ser considerada nesse contexto, mas na mídia nacional. Particularmente a impressa e a televisiva.

Por sua flexibilidade, a internet pode substituir o conteúdo daquelas duas.
Por seu caráter democrático, pode superar, pois a crise é, também, de credibilidade.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

100% MESTIÇO!!

Meu pai é negro. Um negro "tinta fraca", como ouvi há algum tempo, o que já revela certo grau de mistura. Minha mãe, não sei exatamente como definir sua cor. Tem ascendência indígena, apesar da pele clara que deve ter herdado de algum parente distante europeu.

Eu sou marrom. Nem claro nem escuro. Inegavelmente imodesto, sou obrigado a afirmar que é uma cor muito bonita. Bonita e vira-lata. Não tenho a "raça pura" dos brancos europeus, tampouco dos negros da Mãe África. Sequer dos índios nativos, mesmo sendo americano. Sou mestiço ou, como está na moda dizer, 100% mestiço.

Já fui negro, quando, na adolescência, morei no centro-sul do Brasil. Lá eu era preto, ou crioulo. Para os amigos, ou quando queriam algo de mim, era moreno. E, embora tenha decidido não sofrer com o racismo, não pude deixar de perceber e combater sua presença.

Voltei a Salvador e, sem qualquer fenômeno físico aparente, mudei de cor. Aqui, sou branco. E, sinceramente, por muito tempo isso não me incomodou. Quase duas décadas...

Até que perguntaram à minha atual esposa, militante do movimento negro, por que ela havia traído a causa, casando com um homem branco. Branco, eu? "Traiu a causa"? Que causa?

Pergunto-me: se os negros não querem que suas filhas casem com homens brancos, o que havia de errado quando os brancos não queriam suas filhas casadas com negros?

Ingenuamente, eu acreditava que o Apartheid explicitava dois grandes problemas, a discriminação quanto aos direitos civis e a segregação. Pelo que estou percebendo, apenas a primeira deve ser combatida, pois segregados estamos e segregados devemos prosseguir, desde que tenhamos direitos iguais. É o que parece pregar esse movimento meio sem rumo.

Brancos de um lado! Negros do outro!
Ei! Pode parar! E eu? Ou melhor, e nós, quase todos, brasileiros vira-latas? Onde ficamos?
Uma vez que os ortodoxos brancos e negros disputam quem dominará o mundo, creio que cabe aos demais (a grande maioria) a luta contra a segregação.

Como já disse, sempre combati o racismo. Luto por justiça, acima de tudo.
Justamente por isso, quero direitos iguais para todos. Inclusive o direito de não ser visto como negro ou branco, mas como brasileiro.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Consultoria: a profissão do (ou sem...) futuro?

Quem não conhece a piada, uma das mais rodadas da WEB, do consultor e do pastor de ovelhas?
Só para refrescar sua memória:

"Sujeito para o BMW ao lado de um pastor, na montanha, e pergunta:
- Pastor, se eu adivinhar quantas ovelhas tem no seu rebanho, o sr. me dá uma?
- Sim, responde o pastor
O sujeito puxa o notebook, acopla o celular, acessa A INTERNET, o GPS, enfim, aciona toda sua parafernália tecnológica e atira:
- Pastor, o senhor tem 313 ovelhas.
- Acertou, responde o Pastor. Pode pegar sua ovelha.
O sujeito apanha um animal e volta para o BMW, quando o Pastor retruca:
- Se eu adivinhar a sua profissão, o sr. devolve meu animal?
- Sim, responde o sujeito.
- O sr. é consultor !!!, afirma convicto o pastor.
- Como adivinhou ? responde surpreso o consultor.
- Por três razões:
Primeiro, o senhor se meteu onde não foi chamado.
Segundo, falou o que eu já sabia.
Terceiro, não entende nada do meu negócio. Devolva o meu cachorro."

Essa história nos diz duas coisas muito importantes. Em primeiro lugar, a verdade. O consultor é o especialista em nos dizer o que já sabemos. Mas diz também que a denominação de consultor está desgastada. Está caindo no descrédito.
Mas, para quem pretende entrar nesse mundo lucrativo, calma, nem tudo está perdido!
Você não precisa ser um consultor, quando pode ser um "PERSONAL Alguma Coisa (ou Something...)"! No final das contas dá tudo no mesmo, só que o segundo tem a vantagem de já vir com sobrenome.
E está na moda, o que é outra vantagem.

O que talvez tenha sido o pioneiro nessa nova tendência (palavra, diga-se de passagem, que também está na moda) foi o Personal Trainer (mais conhecido pela população em geral como Personal Trem). Esse consultor faz exatamente o que o instrutor da academia faz, com a diferença de que fica olhando pra sua cara enquanto você sua. É muito comum em academias chiques e a maior vantagem de ter um é poder desfilar com ele entre os aparelhos, já que normalmente é proibido o acesso de animais de estimação em academias.
O Personal Trainer deixa de ser consultor para se tornar um profissional de verdade quando vai até você para fazer um trabalho específico que as academias não oferecem. Mas, nesse caso, ele perde totalmente a importância, porque ninguém vai ver que você tem um.

Já ouviu falar em Personal Stylist? Se você ganhou na Megasena ou ficou rico com futebol, jogando ou casando com um jogador, então, inevitavelmente, um Personal Stylist baterá à sua porta. Nos seis primeiros meses, o trabalho dele se resumirá a fazer você falar corretamente "Per-so-nal Sty-list". Não se engane, para quem não tem fluência em inglês, pronunciar essas duas palavrinhas pode ser uma tarefa mais indigesta do que assistir ao programa da Ana Maria.
Esse profissional(?) existe para que você não resolva ir de roupa de praia a um casamento, por exemplo. Sua atuação é imprescindível junto àquelas pessoas sem um pingo de bom senso, que não tenham espelho em casa e, ainda por cima, não tenham parentes próximos ou vizinhos a quem pedir uma opinião. Caso você se enquadre nesse perfil, não perca tempo, contrate um Personal Stylist imediatamente.

Existe também (pasme!) o PDA Personal Trainer, que irá lhe ajudar a usar o seu aparato tecnológico. É muito útil para quem acha que manual de instruções e bula de remédio só servem para fazer peso na caixa.

O Personal Chef (calma!... não é Personal Chefe, embora a categoria dos puxa-sacos esteja carente desse profissional) é uma versão atual da velha e boa cozinheira. A diferença é que cobra mais caro. Seu público-alvo são as pessoas que não sabem cozinhar, tem preguiça de se dirigir a um restaurante e não sabem usar o telefone pra pedir uma pizza.

Mas de nada adiantarão os serviços de um Personal Chef na sua vidinha simples se não for consultado também o Personal Diet. Evolução de um ser da Pré-História conhecido como Nutricionista, esse, enfim, é um profissional importante na sua vida, pois estabelece parâmetros para que você tenha uma alimentação balanceada e saudável. Espere aí! Esse não era o papel do Nutricionista? Sim, claro. O Personal Diet é algo mais. É, para ser sincero, um algo mais que ainda não descobri o que é... vai ver ele anda com um chicotinho pra bater na sua bunda quando você fugir da dieta. É... deve ser isso.

Pensa que acabou? Para sua surpresa, existe o Personal Friend. Isso mesmo! O Personal Friend é aquele amigo(?) fiel(?) sempre ao seu lado para as mais diversas ocasiões. Sua especialidade são os eventos culturais, mas é também uma espécie de coringa para substituir o Personal Stylist, o seu cachorrinho nas caminhadas matinais, seu motorista, seu psicólogo, seu psiquiatra e até mesmo seus amigos de verdade, caso você os tenha.

Nenhum desses, no entanto, aproxima-se em importância da Personal Sex. Não é uma puta, esqueça isso. Essa profissional ensina a mulher a encontrar os pontos de prazer em seu próprio corpo, as famosas zonas erógenas. Ensina também um tal de Pompoarismo, que numa linguagem mais popular, seria chamado de "ginástica de buceta". Resumindo, a Personal Sex nada mais é do que uma professora de siririca.

Então, se você tem algum talento ímpar ou uma profissão ainda sem equivalente no mundo Personal, seja um pioneiro!
É uma excelente maneira de se dar bem fazendo o que sempre fez ou, melhor ainda, sem fazer absolutamente nada. O retorno é garantido, pois o que não falta é gente besta querendo jogar dinheiro fora.


E pra quem acha que estou inventando:
http://www.personalstylist.com.br/personal.php
http://beleza.terra.com.br/mulher/interna/0,,OI3813164-EI7590,00-Ter+um+chef+para+chamar+de+seu+esta+virando+moda.html
http://www.pdapersonal.com/quemsomos.htm
http://www.tonisa.com.br/
http://www.personaldiet.com.br/
http://www.personalcare.com.br/diet.php
http://www.personalbrecho.com.br/quemsomos.php
http://mulher.terra.com.br/interna/0,,OI3862431-EI1377,00-Personal+sex+ensina+caminhos+de+pontos+Gs+para+a+hora+H.html

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Minha Fé

"Minha Fé",
interpretada por Zeca Pagodinho,
uma composição de Murilão da Boca do Mato.

"Eu tenho um santo padroeiro poderoso que é meu pai Ogum... eu tenho.
Tenho outro santo que me ampara na descida que é meu pai Xangô... Kaô!
E quem me ajuda no meu caminhar nessa vida pra ir na corrida do ouro é Oxum, é Oxum!
E nas mandingas que a gente não vê,
mil coisas que a gente não crê,
valei-me meu pai, atotô Obaluaê, Obaluaê!

Por isso que a vida que eu levo é beleza,
eu não tenho tristeza só vivo a cantar... e cantar!
Cantando eu transmito alegria
e afasto qualquer nostalgia pra lá... sei lá...
E há quem diga que essa minha vida
não é vida pra um ser humano viver, pode crer.
E nas mandingas que a gente não vê,
mil coisas que a gente não crê,
valei-me meu pai, atotô Obaluaê..."