Ontem, vi uma sombra
a seguir-me os passos.
Hoje, ao acordar e olhar pela janela,
havia um enorme Sol aquecendo meu rosto.
Ontem, andando entre folhas,
espinhos feriram-me as mãos.
Hoje, quando acordei,
contemplei uma bela rosa ao meu lado.
Ontem,
chorei pela chuva que caía.
Hoje, ao despertar,
danço sob a tempestade que me refresca.
Se, ontem,
tremia, diante da realidade,
Hoje
lanço-me sem medo ao desconhecido.
Ontem, apenas dormia.
Hoje sonho...
e vivo.
Sérgio Sales.
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sexta-feira, 31 de julho de 2009
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Depoimento de uma mulher esperta.
"Na noite passada, fui convidada para uma reunião com as meninas.
Eu disse a meu marido que estaria de volta à meia-noite:
- Prometo! - eu disse.
Mas, as horas passaram rapidamente e o champanhe estava rolando solto.
Por volta das 3 da manhã, bêbada feito um gambá, eu fui para casa.
Mal entrei e fechei a porta, o cuco no hall disparou e 'cantou' 3 vezes.
Rapidamente, percebendo que meu marido podia acordar, eu fiz 'cu-co' mais 9 vezes.
Fiquei realmente orgulhosa de mim mesma, por ter uma idéia tão brilhante e rápida (mesmo de porre) para evitar um possível conflito com ele.
Na manhã seguinte, meu marido perguntou a que horas eu tinha chegado, e eu disse a ele:
- Meia-noite!
Ele não pareceu nem um pouquinho desconfiado.
Ufa! Daquela eu tinha escapado!
Mas então, ele disse:
- Nós precisamos de um novo cuco.
Quando eu perguntei por que, ele respondeu:
- Bom, esta noite nosso relógio fez 'cu-co' 3 vezes, depois não sei porque soltou um...`caraaaaalho!`.
Fez 'cu-co' mais 4 vezes e pigarreou.
Fez mais 3 vezes, riu, e fez mais 2 vezes.
Daí, tropeçou no gato, derrubou a mesinha da sala, peidou, deitou e dormiu..."
Eu disse a meu marido que estaria de volta à meia-noite:
- Prometo! - eu disse.
Mas, as horas passaram rapidamente e o champanhe estava rolando solto.
Por volta das 3 da manhã, bêbada feito um gambá, eu fui para casa.
Mal entrei e fechei a porta, o cuco no hall disparou e 'cantou' 3 vezes.
Rapidamente, percebendo que meu marido podia acordar, eu fiz 'cu-co' mais 9 vezes.
Fiquei realmente orgulhosa de mim mesma, por ter uma idéia tão brilhante e rápida (mesmo de porre) para evitar um possível conflito com ele.
Na manhã seguinte, meu marido perguntou a que horas eu tinha chegado, e eu disse a ele:
- Meia-noite!
Ele não pareceu nem um pouquinho desconfiado.
Ufa! Daquela eu tinha escapado!
Mas então, ele disse:
- Nós precisamos de um novo cuco.
Quando eu perguntei por que, ele respondeu:
- Bom, esta noite nosso relógio fez 'cu-co' 3 vezes, depois não sei porque soltou um...`caraaaaalho!`.
Fez 'cu-co' mais 4 vezes e pigarreou.
Fez mais 3 vezes, riu, e fez mais 2 vezes.
Daí, tropeçou no gato, derrubou a mesinha da sala, peidou, deitou e dormiu..."
terça-feira, 28 de julho de 2009
Divirta-se!
Perguntaram-me uma vez, por que eu disse "divirta-se", ao me despedir.
- Estou indo pro trabalho, responderam.
E isso não pode ser divertido? Ou, ao menos, mesmo que minimamente, prazeroso?
O mundo é dinâmico, o tempo é curto, a vida é corrida. Quando repetimos isso, esquecemos que é a nossa vida que vivemos, o mundo que percebemos é o nosso. O tempo passa com a velocidade que damos a ele. Que ele passa, é fato. Mas pode passar rápido como alguém que nos assusta por que correu para pegar o ônibus, ou lento como um avião que desenha uma esguia linha branca num fundo azul e que acompanhamos para ver quão longa será a linha.
Alguns grandes vilões da história mundial encheram nossas cabeças com falácias que nos fazem esquecer o que somos. Tempo é dinheiro, prazer é pecado. Tudo besteira. Refrões repletos da mais pura crueldade humana, para reprimir, dominar.
Perceber, contemplar... é isso o que nos falta. Esquecemo-nos de fabricar alguns pequenos hiatos em nossas rotinas para essas importantes e prazerosas tarefas. Tocamos nas coisas, mas não sentimos sua textura. Olhamos, e não percebemos os detalhes que compõem o todo. Espreguiçamo-nos, mas não nos deliciamos com esse momento mágico do nosso corpo e com o bem estar que ele proporciona.
Tempo é simplesmente a coleção das nossas experiências. É provar um suco novo a cada dia. É dizer "eu te amo" todas as manhãs, como se fosse a primeira vez. É aprender a costurar. É beijar um amigo. Usar um penteado ou uma roupa que nunca usou antes, só para ver como fica. É sentar de frente para o mar, de pés descalços, sem pensar em nada, apenas pelo prazer de ter deixado um monte de coisas sem fazer e, ao final, constatar que o mundo não acabou por isso.
Sem essas coisas, o tempo se resume a um passar de segundos.
Sei que faço parte dessa grande máquina que se tornou o mundo e, junto com ela, movimento-me.
Mas, também, dedico-me a sentir prazer, degustar meu tempo, perceber e contemplar.
E a repetir: divirta-se!
- Estou indo pro trabalho, responderam.
E isso não pode ser divertido? Ou, ao menos, mesmo que minimamente, prazeroso?
O mundo é dinâmico, o tempo é curto, a vida é corrida. Quando repetimos isso, esquecemos que é a nossa vida que vivemos, o mundo que percebemos é o nosso. O tempo passa com a velocidade que damos a ele. Que ele passa, é fato. Mas pode passar rápido como alguém que nos assusta por que correu para pegar o ônibus, ou lento como um avião que desenha uma esguia linha branca num fundo azul e que acompanhamos para ver quão longa será a linha.
Alguns grandes vilões da história mundial encheram nossas cabeças com falácias que nos fazem esquecer o que somos. Tempo é dinheiro, prazer é pecado. Tudo besteira. Refrões repletos da mais pura crueldade humana, para reprimir, dominar.
Perceber, contemplar... é isso o que nos falta. Esquecemo-nos de fabricar alguns pequenos hiatos em nossas rotinas para essas importantes e prazerosas tarefas. Tocamos nas coisas, mas não sentimos sua textura. Olhamos, e não percebemos os detalhes que compõem o todo. Espreguiçamo-nos, mas não nos deliciamos com esse momento mágico do nosso corpo e com o bem estar que ele proporciona.
Tempo é simplesmente a coleção das nossas experiências. É provar um suco novo a cada dia. É dizer "eu te amo" todas as manhãs, como se fosse a primeira vez. É aprender a costurar. É beijar um amigo. Usar um penteado ou uma roupa que nunca usou antes, só para ver como fica. É sentar de frente para o mar, de pés descalços, sem pensar em nada, apenas pelo prazer de ter deixado um monte de coisas sem fazer e, ao final, constatar que o mundo não acabou por isso.
Sem essas coisas, o tempo se resume a um passar de segundos.
Sei que faço parte dessa grande máquina que se tornou o mundo e, junto com ela, movimento-me.
Mas, também, dedico-me a sentir prazer, degustar meu tempo, perceber e contemplar.
E a repetir: divirta-se!
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Cotas
Esse texto do Juarez Silva Jr não é exatamente sobre as cotas nas universidades. Mas aproveitei que ele tocou no assunto para alimentar essa discussão.
http://blogdojuarez.amazonida.com/wp/?p=152
"Caro Juarez, com relação a esse assunto das cotas, é importante termos muito cuidado. Eu, particularmente, coloco-me ora contra, ora a favor (calma!… não sofro de distúrbio bipolar… rsrs).
Deixe-me explicar.
Para aqueles que querem acabar com as cotas, posiciono-me firmemente a favor delas, pois sou ciente da intenção mesquinha dos que a elas se opõem, que visam somente perpetuar as desigualdades sociais. O sistema de cotas racha duramente o modelo atual de divisão do trabalho, no qual quem já é rico ou classe média (e branco, na quase totalidade) ocupa os cargos que definem os rumos da sociedade e os pobres (negros e mestiços, em sua maioria) ficam relegados aos trabalhos sem poder de decisão. Isso incomoda muito a quem hoje detém o poder.
Para quem é a favor das cotas, posiciono-me contra alguns modelos que estão sendo apresentados. Se a intenção do Movimento Negro (embora não exista um, mas vários movimentos negros, alguns, inclusive, muito equivocados) é democratizar o espaço social e, não, segregar, então olhar para a cor da pele não é o suficiente.
Para ser mais claro, cito os exemplos dos sistemas de cotas da UNB (Universidade de Brasília) e da UNEB (Universidade do Estado da Bahia). No primeiro, há uma comissão que valida a cor informada no formulário de inscrição, para confirmar ou não se o candidato é negro e merece o sistema de cotas. Já na UNEB, para aceder ao sistema de cotas, o candidato deve se autodeclarar afrodescendente (o que ninguém valida), mas o que irá definir seu direito às cotas é ele ter feito os 3 últimos anos do ensino fundamental em escolas públicas. Penso que esse último sistema é muito mais correto que o primeiro.
Ainda assim, no meu ponto de vista, o sistema de cotas está invertido. Nas universidades públicas deveria ser criada uma cota de 10% para estudantes de qualquer escola, pública ou privada. Os outros 90% deveriam ser exclusivos para quem cursou os 5 ou 7 últimos anos do ensino fundamental em escolas públicas. As universidades públicas devem ser para quem estudou em escolas públicas. Quem pode pagar pelo ensino particular, que o faça também no ensino superior.
Isso seria muito mais democrático. Também não deixaria de ser uma ação afirmativa, já que a maior parte dos estudantes de escolas públicas é composta por afrodescendentes (negros, como você, e mestiços, como eu).
E sem segregar, o que também é importante.
Sérgio Sales."
http://blogdojuarez.amazonida.com/wp/?p=152
"Caro Juarez, com relação a esse assunto das cotas, é importante termos muito cuidado. Eu, particularmente, coloco-me ora contra, ora a favor (calma!… não sofro de distúrbio bipolar… rsrs).
Deixe-me explicar.
Para aqueles que querem acabar com as cotas, posiciono-me firmemente a favor delas, pois sou ciente da intenção mesquinha dos que a elas se opõem, que visam somente perpetuar as desigualdades sociais. O sistema de cotas racha duramente o modelo atual de divisão do trabalho, no qual quem já é rico ou classe média (e branco, na quase totalidade) ocupa os cargos que definem os rumos da sociedade e os pobres (negros e mestiços, em sua maioria) ficam relegados aos trabalhos sem poder de decisão. Isso incomoda muito a quem hoje detém o poder.
Para quem é a favor das cotas, posiciono-me contra alguns modelos que estão sendo apresentados. Se a intenção do Movimento Negro (embora não exista um, mas vários movimentos negros, alguns, inclusive, muito equivocados) é democratizar o espaço social e, não, segregar, então olhar para a cor da pele não é o suficiente.
Para ser mais claro, cito os exemplos dos sistemas de cotas da UNB (Universidade de Brasília) e da UNEB (Universidade do Estado da Bahia). No primeiro, há uma comissão que valida a cor informada no formulário de inscrição, para confirmar ou não se o candidato é negro e merece o sistema de cotas. Já na UNEB, para aceder ao sistema de cotas, o candidato deve se autodeclarar afrodescendente (o que ninguém valida), mas o que irá definir seu direito às cotas é ele ter feito os 3 últimos anos do ensino fundamental em escolas públicas. Penso que esse último sistema é muito mais correto que o primeiro.
Ainda assim, no meu ponto de vista, o sistema de cotas está invertido. Nas universidades públicas deveria ser criada uma cota de 10% para estudantes de qualquer escola, pública ou privada. Os outros 90% deveriam ser exclusivos para quem cursou os 5 ou 7 últimos anos do ensino fundamental em escolas públicas. As universidades públicas devem ser para quem estudou em escolas públicas. Quem pode pagar pelo ensino particular, que o faça também no ensino superior.
Isso seria muito mais democrático. Também não deixaria de ser uma ação afirmativa, já que a maior parte dos estudantes de escolas públicas é composta por afrodescendentes (negros, como você, e mestiços, como eu).
E sem segregar, o que também é importante.
Sérgio Sales."
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Onde está você?
Ontem não consegui dormir.
Algo estava comigo, na cama, inquietando-me.
Algo metamorfo,
que às vezes gritava meus anseios
e outras, ainda pior, silenciava,
num vazio tão profundo
quanto a escuridão...
Parecia querer levar-me
aonde não estava meu corpo:
combate quase sangrento
entre matéria e desejo,
entre lógica
e ilusão...
Quisera estar só,
pois, entre prantos, ao erguer no ar
a dor de tudo o que não realizei,
dormiria.
Mas não... não pude chorar.
Pois que minha dor
era também alegria
e meus sonhos, realidade.
Na imensidão
em que se transformou meu lençol
havia um quê de presença
e, mais que esperança,
a certeza do pertencimento.
Havia ausência e, ironicamente, nela,
felicidade.
Sérgio Sales.
Algo estava comigo, na cama, inquietando-me.
Algo metamorfo,
que às vezes gritava meus anseios
e outras, ainda pior, silenciava,
num vazio tão profundo
quanto a escuridão...
Parecia querer levar-me
aonde não estava meu corpo:
combate quase sangrento
entre matéria e desejo,
entre lógica
e ilusão...
Quisera estar só,
pois, entre prantos, ao erguer no ar
a dor de tudo o que não realizei,
dormiria.
Mas não... não pude chorar.
Pois que minha dor
era também alegria
e meus sonhos, realidade.
Na imensidão
em que se transformou meu lençol
havia um quê de presença
e, mais que esperança,
a certeza do pertencimento.
Havia ausência e, ironicamente, nela,
felicidade.
Sérgio Sales.
Clássico!
A internet nos traz inúmeros novos vídeos interessantes todos os dias.
Mas sempre há espaço para os clássicos.
Mas sempre há espaço para os clássicos.
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Resposta a e-mail.
Recebi, hoje, um email contendo uma suposta notícia sobre a viagem do Presidente Lula para participar da reunião do G20. O e-mail é a reprodução do texto que pode ser lido nesse link: http://www.brasilverdade.org.br/index.php?conteudo=canal&id=429&canal_id=21
Resolvi verificar a veracidade da informação.
A fonte citada (Correio da Tarde) não possui referência nenhuma ao que foi descrito nesse e-mail. As referências que encontrei sobre isso na net continham somente esse mesmo texto, reproduzido irresponsavelmente em vários blogs.
Mas, tudo bem, suponhamos que todas as informações contidas naquele texto são verídicas. A partir daí, vamos botar nossos neurônios pra funcionar um pouco. Vamos por partes.
1. O Presidente Lula hospedou-se num hotel de luxo. Será que os presidentes anteriores faziam e os de outros países fazem diferente? Afinal, para que os hotéis de luxo tem as famosas suítes presidenciais? Ah, esqueci... Lula é nordestino, foi metalúrgico e sindicalista, isso não é pra ele.
2. Lula gosta de cachaça. FHC, o presidente que inventou o apagão, o mensalão, enriqueceu Daniel Dantas (o maior bandido brasileiro da atualidade) e sumiu com o dinheiro das privatizações, tinha uma adega milionária dentro do Palácio da Alvorada, com vinhos e uísques caríssimos. A fonte dessa informação é o jornalista Paulo Henrique Amorim, que afirma para quem quiser ouvir, que esteve nessa adega e pode descrevê-la. Agora, uma pergunta: por que beber uísque pode e cachaça não pode? Eu, particularmente, prefiro cachaça. Ah, claro... cachaça é coisa de nordestino, ou de pobre.
3. O que é uma cegueira cultural? Seria por acaso, não acreditar que a epidemia de gripe suína é uma invenção da mídia, assim como foi a da febre amarela, em que pessoas morreram por que se vacinaram sem necessidade? Seria saber que Sarney não se tornou corrupto de uma hora para outra, mas que agora é esse "monstro" porque se afastou da direita a quem sempre serviu? Seria achar patéticas as afirmações da Miriam Leitão de que o Brasil está indo para o ralo, mesmo com o país emprestando dinheiro ao FMI? Seria sentir nojo de quem disse que Lula ia confiscar a poupança, como fez Collor, quando as medidas tomadas foram justamente para proteger os pequenos investidores (nós, o povo) dos grandes especuladores? Se ser um "cego cultural" é recusar-se a ficar de joelhos perante as idéias reacionárias da classe média e de quem domina a grande mídia, pode ter certeza de que sou um. A propósito, quem inventou esse termo "cegueira cultural" não tem a menor idéia do que seja cultura.
4. Gostei da frase "Os políticos brasileiros não são eleitos por quem lê jornais e sim por quem limpa a bunda com eles", mas, infelizmente, ela ainda não é verdadeira. Quando a democracia da internet acabar de vez com esse jornalismo podre que toma conta do Brasil e essa frase for totalmente verdadeira, podemos ter certeza de que nosso país será muito mais justo.
Resolvi verificar a veracidade da informação.
A fonte citada (Correio da Tarde) não possui referência nenhuma ao que foi descrito nesse e-mail. As referências que encontrei sobre isso na net continham somente esse mesmo texto, reproduzido irresponsavelmente em vários blogs.
Mas, tudo bem, suponhamos que todas as informações contidas naquele texto são verídicas. A partir daí, vamos botar nossos neurônios pra funcionar um pouco. Vamos por partes.
1. O Presidente Lula hospedou-se num hotel de luxo. Será que os presidentes anteriores faziam e os de outros países fazem diferente? Afinal, para que os hotéis de luxo tem as famosas suítes presidenciais? Ah, esqueci... Lula é nordestino, foi metalúrgico e sindicalista, isso não é pra ele.
2. Lula gosta de cachaça. FHC, o presidente que inventou o apagão, o mensalão, enriqueceu Daniel Dantas (o maior bandido brasileiro da atualidade) e sumiu com o dinheiro das privatizações, tinha uma adega milionária dentro do Palácio da Alvorada, com vinhos e uísques caríssimos. A fonte dessa informação é o jornalista Paulo Henrique Amorim, que afirma para quem quiser ouvir, que esteve nessa adega e pode descrevê-la. Agora, uma pergunta: por que beber uísque pode e cachaça não pode? Eu, particularmente, prefiro cachaça. Ah, claro... cachaça é coisa de nordestino, ou de pobre.
3. O que é uma cegueira cultural? Seria por acaso, não acreditar que a epidemia de gripe suína é uma invenção da mídia, assim como foi a da febre amarela, em que pessoas morreram por que se vacinaram sem necessidade? Seria saber que Sarney não se tornou corrupto de uma hora para outra, mas que agora é esse "monstro" porque se afastou da direita a quem sempre serviu? Seria achar patéticas as afirmações da Miriam Leitão de que o Brasil está indo para o ralo, mesmo com o país emprestando dinheiro ao FMI? Seria sentir nojo de quem disse que Lula ia confiscar a poupança, como fez Collor, quando as medidas tomadas foram justamente para proteger os pequenos investidores (nós, o povo) dos grandes especuladores? Se ser um "cego cultural" é recusar-se a ficar de joelhos perante as idéias reacionárias da classe média e de quem domina a grande mídia, pode ter certeza de que sou um. A propósito, quem inventou esse termo "cegueira cultural" não tem a menor idéia do que seja cultura.
4. Gostei da frase "Os políticos brasileiros não são eleitos por quem lê jornais e sim por quem limpa a bunda com eles", mas, infelizmente, ela ainda não é verdadeira. Quando a democracia da internet acabar de vez com esse jornalismo podre que toma conta do Brasil e essa frase for totalmente verdadeira, podemos ter certeza de que nosso país será muito mais justo.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Alô!?
Acabei de atender ao telefone, pela centésima vez essa tarde.
- Alô...
- É da Odonto-algumacoisa? - alguém pergunta do outro lado.
- Não, respondo.
- E de onde estão falando?
Juro que demorei uma eternidade de uns 5 segundos filosofando sobre o que deveria responder.
O que uma pessoa quer saber com uma pergunta assim? Ou, melhor, o que ela vai fazer com a resposta?
E se eu dissesse, por exemplo, "aqui é da Funerária Durma Bem", que diferença faria? O interlocutor iria aproveitar para escolher seu caixão, no lugar de ir ao dentista? Ou iria perguntar: "Por acaso meu dentista passou por aí"?
Atender ao telefone às vezes é um exercício de paciência.
Houve um dia em que ligaram procurando um colega de trabalho. Era de uma empresa de telemarketing, prestando serviço a um banco, se bem recordo.
- Boa tarde! O Sr. Fulano se encontra?
- Não, ele não está, no momento.
- Aqui é do Banco Bufunfa (nome fictício, claro!), nós precisaríamos estar entrando em contato com o Sr. Fulano o mais breve possível. O senhor poderia estar passando um recado para ele?
- Po...
- É para ele estar entrando em contato conosco se possível ainda hoje. Nosso número é 9009 9999.
- Um momento, ainda estou pegando uma caneta. Pode repetir?
- 9009 9999. Estou falando com...
Ahhh... Nem pestanejei:
_ ... migo!
E desliguei.
Mas que cara de pau! Não se identificou, nem sei se era mesmo de um banco e ainda pergunta meu nome dessa forma, sem vaselina!? Sem contar que esse tom ameaçador de quem pergunta o nome ao final da conversa ("com quem eu falei mesmo?") parece que está dizendo: "agora eu sei quem é você, é bom dar o recado!!"
Há também aqueles que consideram os sinais de boa educação apenas obstáculos à objetividade da vida pós-moderna. Ao invés de dizerem um "boa tarde" ou, ao menos, o trivial "alô", disparam o nome da pessoa com quem desejam falar. Obviamente, também já aconteceu comigo:
- Fulano.
- Não, Sérgio - respondi já sabendo o que estava rolando.
- ...
- ...
Uns dez segundos depois...
- Por favor, Fulano está?
- Não.
- "tu... tu... tu..." - bateram o telefone.
O diálogo só poderia ter terminado no mesmo nível de educação do início.
Por essa conversa dá para perceber também que Fulano nunca está nessas horas. Essas preciosidades só acontecem quando ele foi tomar um cafezinho, foi ao banheiro ou fugiu para ir ao banco. Se eu fosse um pouco mais paranóico, ia achar que é o próprio Fulano que liga.
Mas ruim mesmo é quando um colega sai da empresa e os cobradores acham que ele está é se escondendo. Ligam quase todos os dias perguntando pelo sujeito e recebem sempre a mesma resposta: "ele não trabalha mais aqui".
Agora já peguei o jeito. Bolei uma estratégia que sempre funciona, acaba de vez com as ligações. E sem precisar mentir.
- Alô, gostaria de falar com o Fulano.
Ao que respondo, num tom grave:
- Sinto muito, Fulano não está mais entre nós.
- Alô...
- É da Odonto-algumacoisa? - alguém pergunta do outro lado.
- Não, respondo.
- E de onde estão falando?
Juro que demorei uma eternidade de uns 5 segundos filosofando sobre o que deveria responder.
O que uma pessoa quer saber com uma pergunta assim? Ou, melhor, o que ela vai fazer com a resposta?
E se eu dissesse, por exemplo, "aqui é da Funerária Durma Bem", que diferença faria? O interlocutor iria aproveitar para escolher seu caixão, no lugar de ir ao dentista? Ou iria perguntar: "Por acaso meu dentista passou por aí"?
Atender ao telefone às vezes é um exercício de paciência.
Houve um dia em que ligaram procurando um colega de trabalho. Era de uma empresa de telemarketing, prestando serviço a um banco, se bem recordo.
- Boa tarde! O Sr. Fulano se encontra?
- Não, ele não está, no momento.
- Aqui é do Banco Bufunfa (nome fictício, claro!), nós precisaríamos estar entrando em contato com o Sr. Fulano o mais breve possível. O senhor poderia estar passando um recado para ele?
- Po...
- É para ele estar entrando em contato conosco se possível ainda hoje. Nosso número é 9009 9999.
- Um momento, ainda estou pegando uma caneta. Pode repetir?
- 9009 9999. Estou falando com...
Ahhh... Nem pestanejei:
_ ... migo!
E desliguei.
Mas que cara de pau! Não se identificou, nem sei se era mesmo de um banco e ainda pergunta meu nome dessa forma, sem vaselina!? Sem contar que esse tom ameaçador de quem pergunta o nome ao final da conversa ("com quem eu falei mesmo?") parece que está dizendo: "agora eu sei quem é você, é bom dar o recado!!"
Há também aqueles que consideram os sinais de boa educação apenas obstáculos à objetividade da vida pós-moderna. Ao invés de dizerem um "boa tarde" ou, ao menos, o trivial "alô", disparam o nome da pessoa com quem desejam falar. Obviamente, também já aconteceu comigo:
- Fulano.
- Não, Sérgio - respondi já sabendo o que estava rolando.
- ...
- ...
Uns dez segundos depois...
- Por favor, Fulano está?
- Não.
- "tu... tu... tu..." - bateram o telefone.
O diálogo só poderia ter terminado no mesmo nível de educação do início.
Por essa conversa dá para perceber também que Fulano nunca está nessas horas. Essas preciosidades só acontecem quando ele foi tomar um cafezinho, foi ao banheiro ou fugiu para ir ao banco. Se eu fosse um pouco mais paranóico, ia achar que é o próprio Fulano que liga.
Mas ruim mesmo é quando um colega sai da empresa e os cobradores acham que ele está é se escondendo. Ligam quase todos os dias perguntando pelo sujeito e recebem sempre a mesma resposta: "ele não trabalha mais aqui".
Agora já peguei o jeito. Bolei uma estratégia que sempre funciona, acaba de vez com as ligações. E sem precisar mentir.
- Alô, gostaria de falar com o Fulano.
Ao que respondo, num tom grave:
- Sinto muito, Fulano não está mais entre nós.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
quinta-feira, 16 de julho de 2009
"Sapateado e Liderança(?)"
Muito interessante o vídeo.
Pelo que percebi, foi editado por um desses engravatados que ganham muito dinheiro com palestras motivacionais. A prova disso é que o título do vídeo é "Sapateado e Liderança" e, embora seja realmente uma apresentação de sapateado, não tem absolutamente nada a haver com liderança. Assim como boa parte das palavras que apareceram não tinham nada a haver com o espetáculo.
Mas isso não tem a menor importância perto do inegável talento dos dançarinos.
Confesso, no entanto, que achei algumas coisas meio esquisitas para uma apresentação de dança.
Para começar, o figurino. Poderiam ter pensado em um cinto para os dançarinos, assim não precisariam ficar o tempo todo segurando as calças.
A expressão corporal (ou a falta dela) da cintura para cima, é idêntica à de apresentadores de Stand-up Commedy. Para quem não conhece, são aqueles comediantes(?) estadunidenses ou pseudo-estadunidenses (os paulistanos e, o que é ainda pior, os pseudo-paulistanos) que ficam sozinhos no palco contando piadas velhas da internet.
Senti também um pouco de medo, pois em alguns momentos a apresentação lembra um filme de terror. É como se os dançarinos estivessem todos mortos e algum fenômeno sobrenatural lhes restituísse a vida abaixo da cintura. É algo como "A volta das pernas-vivas", ou "O exorcista anão", já que só vai precisar fazer metade do serviço.
Mas o mais intrigante mesmo é que, apesar disso tudo, dá vontade de assistir até o fim. Eu mesmo fiz isso.
Várias vezes.
PS: Tatá, valeu pelo vídeo. Pode mandar mais...
Pelo que percebi, foi editado por um desses engravatados que ganham muito dinheiro com palestras motivacionais. A prova disso é que o título do vídeo é "Sapateado e Liderança" e, embora seja realmente uma apresentação de sapateado, não tem absolutamente nada a haver com liderança. Assim como boa parte das palavras que apareceram não tinham nada a haver com o espetáculo.
Mas isso não tem a menor importância perto do inegável talento dos dançarinos.
Confesso, no entanto, que achei algumas coisas meio esquisitas para uma apresentação de dança.
Para começar, o figurino. Poderiam ter pensado em um cinto para os dançarinos, assim não precisariam ficar o tempo todo segurando as calças.
A expressão corporal (ou a falta dela) da cintura para cima, é idêntica à de apresentadores de Stand-up Commedy. Para quem não conhece, são aqueles comediantes(?) estadunidenses ou pseudo-estadunidenses (os paulistanos e, o que é ainda pior, os pseudo-paulistanos) que ficam sozinhos no palco contando piadas velhas da internet.
Senti também um pouco de medo, pois em alguns momentos a apresentação lembra um filme de terror. É como se os dançarinos estivessem todos mortos e algum fenômeno sobrenatural lhes restituísse a vida abaixo da cintura. É algo como "A volta das pernas-vivas", ou "O exorcista anão", já que só vai precisar fazer metade do serviço.
Mas o mais intrigante mesmo é que, apesar disso tudo, dá vontade de assistir até o fim. Eu mesmo fiz isso.
Várias vezes.
PS: Tatá, valeu pelo vídeo. Pode mandar mais...
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